Coragem para Mudar o Brasil

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terça-feira, 9 de abril de 2013

“PSB estará mais ativo em 2014”, avisa Eduardo Campos em Porto Alegre


O governador de Pernambuco e presidente Nacional do PSB, Eduardo Campos, cumpre uma série de agendas políticas em Porto Alegre. O socialista chegou nesta segunda-feira (8) e fica até a terça-feira (9), quando termina os compromissos participando de um painel no Fórum da Liberdade.

A primeira atividade do governador ocorreu na noite desta segunda-feira, quando compareceu à comemoração dos aniversário do deputado federal Beto Albuquerque (PSB), que também celebrou 27 anos de filiação ao partido.
Ramiro Furquim/Sul21 
Recepcionado por gritos de “a juventude já decidiu, é Eduardo presidente do Brasil!”, o governador foi prestigiado por diversas lideranças políticas, como a senadora Ana Amélia Lemos (PP) e o vice-governador gaúcho Beto Grill (PSB). Parlamentares federais e estaduais do PMDB, do PP, do PDT, do PTB, do PSD, do PCdoB e do PSDB compareceram ao ato. O PT não enviou representantes ao evento.

Antes da cerimônia, Eduardo Campos conversou por cerca de meia hora com a imprensa. O governador manteve o tom que sempre tem adotado em suas declarações, recusando-se a negar ou a confirmar de forma contundente uma eventual candidatura sua ao Palácio do Planalto. “Não temos procurado nenhum partido tratando de questão eleitoral em 2014. Temos conversado com diversos militantes políticos. Por alguns tenho sido procurado, outros eu tenho procurado para discutir o Brasil sem ansiedade eleitoral. O país precisa fazer um debate mais político e menos eleitoral, porque o que está em jogo é o futuro da nação”, contemporizou.

Eduardo Campos rebateu, de forma indireta, as críticas que vem recebendo de petistas, que temem que a candidatura do socialista possa roubar votos da presidente Dilma Rousseff no Nordeste. “Não vai se fazer a conquista do direito à cidadania somente pelo direito ao consumo dos bens. É um debate que o Brasil precisa fazer sem a postura de excluir aqueles que colocam sua visão, (como se) aquele virou inimigo porque pode ser candidato. Isso é muito desprovido de conteúdo e de sentimento de brasilidade”, condenou.

Evitando citar partidos políticos ou possíveis aliados para 2014, o governador disse que não deseja “mediocrizar” o debate. “Não vamos mediocrizar o debate discutindo alianças antes de discutir em torno do que queremos nos juntar. Qual o conteúdo da aliança? Ao PSB não interessa um projeto de poder pelo poder, mas um projeto de país, onde o interesse da sociedade seja colocado no centro dessa aliança”, garantiu.

Eduardo Campos afirmou que é o “debate de conteúdo sobre o futuro do Brasil” que vai determinar a posição política do PSB em 2014. Mas já adiantou que o partido não será apenas um coadjuvante. “O PSB estará mais ativo em 2014 do que já esteve em outras eleições nacionais. Faremos uma opção eminentemente política em torno dos nossos sonhos, dos nossos valores, e em busca de um Brasil que quer mudança efetiva”, declarou.

Críticas à política econômica do governo federal pontuaram discurso

Na entrevista à imprensa, o governador de Pernambuco – que, assim como Dilma, é economista – teceu algumas críticas à política econômica do governo federal. Ele condenou a adoção de “ações pontuais” e cobrou a reflexão sobre os problemas do país.

“Precisamos voltar a crescer de forma sadia, dando segurança ao investimento privado e desburocratizando o investimento público”, opinou. Para Eduardo Campos, o Brasil está ficando para trás em termos de construir saídas para a crise econômica.“Estamos vivendo o rescaldo da maior crise do capitalismo mundial, que surgiu pela sanha da irresponsabilidade do capital financeiro em seu centro, nos Estados Unidos, que já cresceram mais do que o Brasil em 2012”, comparou.

Com um discurso que não esconde o tom eleitoral, o governador de Pernambuco destacou as conquistas democráticas, econômicas e sociais das últimas décadas no país, mas afirmou que é preciso dar outros passos. “Dentro deste Brasil que caminhou, tem um outro Brasil que quer muito mais, que quer escola que funcione, saúde que não constranja e segurança pública que não faça o medo estar tão presente”, conclamou.

Numa demonstração de força, Campos fez questão de demarcar seu potencial eleitoral na conversa com a imprensa. “Fui reeleito com 83% dos votos e, na última pesquisa de opinião dos jornais locais em Pernambuco, temos 93% do apoio dos pernambucanos. Isso só se faz quando tem trabalho e responsabilidade”, exaltou.

Campos critica debate sobre democratização da mídia

Questionado sobre a declaração que o governador gaúcho Tarso Genro (PT) deu à Folha de São Paulo, afirmando que uma eventual candidatura de Eduardo Campos à Presidência da República seria um “equívoco tático”, o político pernambucano limitou-se a dizer que conversaria pessoalmente com o petista. “Irei visitar o governador Tarso e terei oportunidade de conversar um pouco sobre esse momento do Brasil. Prefiro falar amanhã sobre essa declaração”, minimizou.

Na entrevista coletiva, Campos disse que não concorda com a visão de Tarso a respeito do debate em torno da democratização dos meios de comunicação no país – que tem pautado as últimas declarações do petista. “Não comungo dessas ideias e não é de hoje. Imagino que quem vai regular a mídia é o leitor. Se sou leitor e entendo que uma mídia é conservadora, preconceituosa e tem um viés atrasado, deixo de ler essa mídia e passo a ler outra que vá ao encontro da minha forma de ver o mundo”, defendeu.

Para o neto do ex-governador pernambucano Miguel Arraes, o debate sobre o tema “cheira à possibilidade de censura”. “Nasci em uma família de perseguidos políticos. Imagine o que é para alguém que teve a formação dentro dessas circunstâncias entender que algo cheira à possibilidade de censura. Precisamos usar o avanço dos meios de comunicação para fazer o exercício do conteúdo que a gente acredita e fazer o debate das ideias”, disse.

Na manhã desta terça-feira, Campos se reúne com o governador Tarso Genro e, em seguida, encontra-se com o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati. Após uma palestra na Federasul, no início da tarde, ele se dirige para a Assembleia Legislativa, onde receberá a medalha do Mérito Farroupilha. À noite, participa do painel de encerramento do Fórum da Liberdade.

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