Coragem para Mudar o Brasil

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segunda-feira, 4 de março de 2013

Brasil em preto e branco


O Brasil passa por um processo sólido e continuado de desenvolvimento econômico, baseado no incremento das suas potencialidades, que resiste, inclusive, aos abalos da crise mundial e que tem como preliminar o objetivo intrínseco do combate às desigualdades sociais.
Este quadro de crescimento da atividade econômica gera fenômenos socioeconômicos que merecem reflexões, decisões e posicionamento político.
No século XIX, abolida a escravidão formal, o poder político não permitiu ao povo negro acesso à educação e, portanto, a funções mais especializadas. Para suprir a necessidade de técnicos, o Brasil promoveu a vinda de imigrantes europeus.

Agora, temos, de novo, escassez de mão de obra, conseqüência natural de uma política equivocada que imaginou ser possível desenvolver o País deixando de fora a metade dos brasileiros.

Os físicos, químicos, engenheiros e os demais profissionais que estão faltando são os negros que representam mais de 50% da população brasileira e que foram impedidos de, no passado, estudar,  cursar a universidade. Logo, a solução é oportunizar, garantir a capacitação, a entrada deste contingente no mercado de trabalho atual e não reproduzir a solução equivocada de outrora, buscando especialistas de nível superior em outros países.

Assim, é indispensável que a sociedade brasileira tenha uma atitude propositiva de promoção da igualdade racial e os governos tenham firmeza e determinação na execução de políticas públicas afins.
Para uma ação efetiva de combate às desigualdades sociais é indispensável focar no núcleo central das desigualdades: a racial, que atinge, hoje, a maioria da população brasileira que é negra.

As condições para o enfrentamento estão postas. A conjuntura é favorável. Existe base teórica, estudos demográficos e sociológicos, produzidos, inclusive, por negros que venceram barreiras, ocuparam bancos universitários e desenvolveram trabalhos científicos e teses que podem embasar as políticas afirmativas, criando um círculo virtuoso que permite estas conquistas.

Embora o fato de que cada vez mais negros assumam espaços nas escolas, nas universidades, nas empresas públicas e privadas torne o racismo mais exposto, mais presente, também representa a evidência concreta do avanço obtido por estes. Registre-se que 53% das pessoas que ascenderam socialmente nos últimos anos são negras, principalmente mulheres e jovens, muito devido aos ganhos de escolaridade
Portanto, o resgate da plena cidadania e a inserção do negro no mercado de trabalho no Brasil contemporâneo é parte imprescindível da solução. Nosso desafio é ter um país desenvolvido, culturalmente integrado, sem desigualdades sociais, construído por e para todos, independente da cor de sua pele.



Por Beto Grill - Vice-governador do Rio Grande do Sul

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