Coragem para Mudar o Brasil

Coragem para Mudar o Brasil

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Vinicius de Carvalho fala sobre momento do PSB

Continuo a série sobre a eleição presidencial de 2014. Hoje concentro-me um pouco no Partido Socialista Brasileiro (PSB), que tem o atual governador de Pernambuco Eduardo Campos como pré-candidato. Campos vem sendo um dos políticos mais celebrados pela mídia desde a eleição municipal do ano passado, em função das importantes vitórias obtidas pelo partido em capitais como Belo Horizonte, Fortaleza, Recife e Cuiabá.
   Outra razão foi a manutenção da tendência de crescimento do PSB, saindo de 133 prefeituras em 2000 para 176 em 2004, 310 em 2008 e 443 em 2012. Foi o maior crescimento obtido de 2008 para 2012 entre os grandes partidos (42,9%), seguido de longe pelo PT (13,98%). Além disto, Eduardo Campos sempre aparece entre os Governadores dos Estados com melhor avaliação pelos institutos de pesquisa e obteve uma das maiores votações proporcionais em sua reeleição no ano de 2010, com quase 83% dos votos válidos.
   Entretanto, após os resultados já comentados e outras declarações, será muito difícil o PSB recuar de tê-lo na cabeça de chapa. A tradição política aponta que em regimes presidenciais aqueles que ocupam a vice raramente chegam à titularidade, salvo por vacância do titular. O vice tem um determinado capital eleitoral, mas sem condições de encabeçar a chapa.
   O PSB relutará em abrir mão de Eduardo Campos na cabeça de chapa porque ele é, sem sombra de dúvida, o melhor quadro nacional já produzido pelo partido desde sua fundação. Vale lembrar que o PSB já apresentou Anthony Garotinho como candidato a Presidente em 2002 e teve Ciro Gomes como um pré-candidato em 2010. Contudo, nenhum dos dois foi formado no partido, já que Garotinho veio do PMDB e Ciro Gomes já passara por PMDB, PSDB e PPS.
   Sozinho ou coligado com alguém, o PSB de Eduardo Campos tem tudo para desempenhar um papel central nas próximas eleições por algumas razões. Foram eleitos em 2010 seis governadores do partido, nos Estados de Pernambuco, Ceará, Amapá, Paraíba, Piauí e Espírito Santo. Tais Estados somados representam cerca de 15 milhões de votos ou em torno de 15% dos votos válidos. Para se ter uma ideia, esta votação é superior à do Estado de Minas Gerais e 2/3 da de São Paulo. Neles Dilma Roussef abriu uma vantagem de quase seis milhões de votos sobre José Serra no segundo turno de 2010, que se mostraram decisivos na totalização em nível nacional. Se estes mesmos votos virassem de Dilma para Serra, a eleição teria ficado próxima de um empate.
   Quando olhamos os dados é possível ver que, retirando a região Nordeste e o Estado do Amazonas, a eleição de fato ficou próxima de um empate. Dilma teve 455.985 votos a mais do que José Serra, num colégio eleitoral de aproximadamente 72 milhões. Isto equivaleu a cerca de 0,63% dos votos deste grupo de eleitores ou 0,31% num confronto direto. E isto num momento em que o Produto Interno Bruto (PIB) estava crescendo a 7,5%, o que dificilmente se repetirá em 2014.
   Numa boa coligação incluindo um algum partido que aumente sua presença no eleitorado do Sul e Sudeste e também ajude no financiamento da campanha, Eduardo Campos torna-se de fato um competidor de respeito para 2014. Será que ele vai repetir o que fez em 2010 com a pré-candidatura Ciro Gomes e tentará usar este capital para fortalecer o PSB em 2014 visando uma candidatura em 2018? Isto já é assunto para o artigo da próxima semana.
   Vinicius de Carvalho Araújo é gestor governamental do Estado, mestre em História Política, professor universitário escreve neste blog toda segunda-feira - vcaraujo@terra.com.br www.professorviniciusaraujo.blogspot.com

Autor: Vinicius de Carvalho Araújo
Fonte: O NORTÃO

Nenhum comentário:

Postar um comentário